Ficha do evento
- Data
- 5 de dezembro de 2025
- Local
- Taquaras · Balneário Camboriú · SC
- Evento
- SEAS 10 anos
- Equipe Fivebucks
- Eduardo · Renan · Nesti
- Apoio
- Almirante Automóveis
Dois dias, uma van cheia de madeira e um terreno a poucos metros do mar. A participação da Fivebucks no SEAS 10 anos começou antes da música — e acabou dizendo muito sobre o tipo de marca que somos.
Duas semanas antes do evento, não havia estande, araras, espelhos ou roupas. Na verdade, não havia praticamente nada.
Quando fomos conhecer o espaço onde aconteceria o SEAS 10 anos, em Taquaras, encontramos um grande gramado a poucos metros do mar. A estrutura do evento ainda começava a tomar forma e o lugar reservado para a Fivebucks era, naquele momento, apenas um pedaço daquele terreno.
Eu estava acompanhado do Renan, um amigo próximo da nossa comunidade. Caminhamos pelo espaço, conversamos com a organização, entendemos onde ficaríamos e começamos a imaginar o que poderia existir ali.
Talvez fosse possível simplesmente levar algumas araras, organizar as roupas e montar uma loja temporária. Mas não parecia suficiente. Se a Fivebucks estaria ali, queríamos contribuir de uma maneira que tivesse a nossa cara.
20 CHAPAS DE COMPENSADO, ALGUNS CAIBROS E UMA IDEIA
Nesti é daqueles caras que conseguem olhar para um monte de madeira e enxergar algo que ainda não existe. Além de cantor e artista, trabalha profissionalmente com montagem e marcenaria. Mostramos o espaço, explicamos a ideia e começamos a desenhar juntos o que poderia ser feito.
A proposta era relativamente simples no papel: construir uma plataforma elevada de madeira que diferenciasse nosso espaço do restante do evento. Na prática, significava construir um pequeno ambiente praticamente do zero.
Nesti calculou a quantidade de material. Aproximadamente 20 chapas de compensado, caibros de cerca de quatro metros e tudo que seria necessário para sustentar a estrutura.
Na sexta-feira anterior ao evento, começamos. Passamos pela marcenaria pela manhã, carregamos o material e descobrimos o primeiro problema antes mesmo de sair de Blumenau: fazer tudo aquilo caber dentro de uma van.
A van tinha sido cedida pela Almirante Automóveis para nos ajudar na operação. Depois de algum esforço, madeira, ferramentas e três pessoas estavam a caminho do litoral. Eu e Renan fomos na van. Nesti seguiu de carro.
Quando chegamos a Taquaras, encontramos talvez o pior — ou o melhor — clima possível para construir alguma coisa ao ar livre: céu completamente azul e um sol absurdo. E começamos.


ANTES DA FESTA, VIERAM AS MARRETADAS
Primeiro era preciso preparar o chão. Depois posicionar os caibros, acertar os níveis, criar sustentação e começar a encaixar as chapas. Tudo precisava ficar firme o suficiente para que dezenas de pessoas pudessem circular por cima durante o evento.
Não havia uma equipe de montagem esperando por nós. Éramos nós.
Nesti orientando a construção, Renan ajudando em tudo e eu no meio, carregando madeira, furando, parafusando, batendo e tentando entender como aquele amontoado de material começava lentamente a se transformar no espaço que tínhamos imaginado.
Foram horas debaixo do sol. O protetor solar tentou cumprir sua função. Não conseguiu.
No final da sexta-feira, estávamos queimados, cansados e com a parte principal da plataforma finalmente pronta.
Só havia um pequeno detalhe: ainda faltava praticamente toda a Fivebucks.
As roupas, araras, espelhos, adesivos e tudo que transformaria aquela estrutura de madeira em nosso espaço continuavam em Blumenau. Por volta das oito da noite, eu e Renan entramos novamente na van e pegamos a estrada.
Voltamos para a loja, carregamos tudo que conseguíamos e seguimos novamente para Balneário Camboriú. Dormimos algumas horas. No sábado pela manhã, estávamos de volta em Taquaras. O evento começaria às três da tarde.
DE UM GRAMADO VAZIO PARA A NOSSA CASA NO SEAS 10 ANOS
As horas seguintes foram uma corrida contra o relógio. Mais madeira. Mais parafuso. Mais marretada.
Terminamos as laterais, posicionamos as araras, instalamos os espelhos, aplicamos os elementos da marca e organizamos o espaço. Por volta de uma da tarde, a estrutura estava praticamente concluída.
Saímos de Taquaras, fomos até Balneário Camboriú, tomamos banho, nos arrumamos e voltamos. Duas semanas depois de enxergarmos apenas um gramado, havia uma Fivebucks construída ali.
E então aconteceu a parte mais importante. As pessoas chegaram.
Nosso espaço ficava próximo à entrada e rapidamente começou a chamar atenção. Mais do que vender roupas, durante aquelas horas o estande virou um ponto de encontro. Pessoas entravam, experimentavam peças, conversavam, encontravam amigos e permaneciam por ali.
Para nós, havia algo especialmente interessante naquela inversão. A Fivebucks nasceu em Blumenau e, durante anos, foi nossa loja que recebeu pessoas de diferentes lugares. No SEAS 10 anos, aconteceu o contrário. Fomos nós que pegamos a estrada para encontrar nossa comunidade no litoral.
Por um dia, construímos nossa casa dentro da casa deles.



QUANDO A ROUPA SAI DA ARARA E ENTRA NA CULTURA
Em algum momento, olhamos para os palcos e vimos algo que talvez explicasse melhor nossa presença ali do que qualquer campanha conseguiria explicar. Alan Ribeiro e Kust estavam tocando vestidos de Fivebucks.
Não eram modelos contratados para uma fotografia. Eram artistas fazendo aquilo que fazem, diante de uma pista, usando a marca naturalmente dentro daquele ambiente. Essa imagem importava.
Porque nossa relação com a música eletrônica nunca foi sobre simplesmente colocar um logotipo ao lado de uma festa. Existe uma comunidade acontecendo ali.
DJs, produtores, fotógrafos, videomakers, designers, pessoas da moda, artistas e uma quantidade enorme de gente que talvez trabalhe em áreas completamente diferentes durante a semana, mas encontra nesses espaços uma maneira de se expressar.
Estar fisicamente dentro do SEAS 10 anos significava participar dessa cultura da forma que acreditamos: criando, contribuindo e fazendo acontecer junto de quem também constrói a cena.


MAIS DE 30 PESSOAS, UMA MARCA E NENHUMA OBRIGAÇÃO DE CONTINUAR TRABALHANDO
Em determinado momento da noite, percebemos que havia mais de 30 pessoas próximas da Fivebucks reunidas no evento. Amigos, equipe, artistas e pessoas que já faziam parte da comunidade.
Fábio chegou. Gustavo também estava por lá. Encontramos gente que conhecíamos, gente que acompanhava a marca e gente que estávamos conhecendo naquele dia.
Até que chegou uma hora em que fizemos algo importante. Fechamos o estande. Guardamos tudo. E fomos para a festa.
Depois de dois dias carregando madeira, atravessando a BR, montando estrutura e trabalhando debaixo do sol, finalmente fomos aproveitar aquilo que também tínhamos ajudado a construir.
A Fivebucks deixou de ser um estande durante algumas horas e voltou a ser simplesmente um grupo de pessoas no meio da pista. Talvez essa tenha sido uma das melhores partes de tudo.
UMA CAMISETA NUNCA FOI O LIMITE
Quando lembramos daquela participação no SEAS 10 anos, o estande pronto obviamente ficou marcado. Mas talvez a imagem mais interessante seja a anterior.
Um terreno vazio. Uma van cheia de compensado. Três pessoas queimadas de sol construindo alguma coisa que, naquele momento, existia apenas na cabeça delas.
Existe uma ideia que repetimos muito dentro da Fivebucks: despertar o artista que existe em cada pessoa.
Às vezes isso acontece desenhando uma camiseta. Outras vezes, produzindo uma fotografia, dirigindo um vídeo, tocando para uma pista ou criando uma coleção. Naquele fim de semana, aconteceu carregando madeira, construindo um espaço e reunindo pessoas.
Cultura não é alguma coisa que acontece em outro lugar e que uma marca decide apoiar de vez em quando. Ela é construída pelas pessoas que criam, trabalham, se encontram, ocupam espaços, fazem música, fazem roupa, organizam festas e colocam suas ideias no mundo. Nós fazemos parte disso.
O SEAS 10 anos foi mais uma manifestação dessa relação. A música estava no palco, a moda estava nas pessoas, os amigos estavam na pista e a Fivebucks estava ali — não como espectadora, mas contribuindo com aquilo que sabe fazer: criar.
Depois, a plataforma foi desmontada. As roupas voltaram para Blumenau. A festa terminou. Mas a relação com as pessoas, com os artistas e com o próprio SEAS 10 anos continuou.
Porque aquela estrutura de madeira nunca foi apenas um estande. Foi a Fivebucks fazendo o que sempre fez: construindo cultura ao lado de quem também está construindo.
